Frida & Diego: A beleza na dor

Frida & Diego: A beleza na dor

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Semana passada a peça inédita “Frida & Diego” de Maria Adelaide Amaral esteve aqui em BH e eu fui convidada por uma jornalista do Estado de Minas a contribuir com a sua matéria. Como fã de Frida confessa, eu fiquei mais que feliz de poder escrever sobre a conturbada relação entre o casal mais famoso das artes mexicanas:

Texto

“Dois acidentes teriam mudado o destino de Frida Kahlo é o que costumava dizer sua mãe, Matilde Kahlo.

O primeiro deles, aconteceu aos 18 anos. Uma colisão entre um bonde e um ônibus deixou a mexicana com sequelas para a vida toda. Presa em uma cama, olhando para um espelho no teto, Frida encontrou a pintura e a si mesma, Foi durante a sua recuperação que nasceram seus primeiros autorretratos.

O segundo acidente veio alguns anos depois sob o nome de Diego Riviera. Ao encontrar o grande amor de sua vida, Frida não imaginava que estaria encontrando também uma nova forma de experimentar a dor. O relacionamento dos dois foi marcado por brigas e traições, de ambos os lados.

O envolvimento do marido com a irmã mais nova de Frida foi a gota d’água para a separação. E, mais uma vez, ela encontrou na arte o caminho para a superação. Quadros marcados por sofrimento, conflitos internos e até a negação da sua feminidade marcaram essa fase de sua carreira. Se o bonde deixou Frida com cicatrizes no corpo, Diego teria a deixado com cicatrizes na alma.

O afastamento do casal não durou muito tempo. Cinco anos depois, eles se casaram novamente. Foi Diego quem cuidou de Frida quando a sua saúde se deteriorou ainda mais. Após ter a sua perna amputada, a pintora disse uma das frases mais famosas: “Pés, para que te quero, se tenho asas para voar?”

A capacidade de encontrar a beleza em meio a tanta dor foi um dos legados que Frida Kahlo nos deixou.”
Eu, é claro, não poderia perder a peça. Teve direito a drama, humor e algumas surpresas.Para contar a história, a autora usou recursos como flashbacks, projeções das obras, cenário móvel e uma dupla de músicos ao vivo. Foi lindo ver Leona Cavalli e José Rubens Chachá darem vida à Frida e Diego.

Imagem: divulgação espetáculo Frida & Diego.
Texto originalmente publicado no jornal Estado de Minas, caderno de Cultura, 29 de maio de 2015.

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Apaixonada por palavras, cores e formas que provocam “waaus”. Facilitadora de fluxos criativos e encantadora de palavras e imagens. Acredito no poder de transformação pela escrita, pela arte e pelo artesanato.